Decisões entre dois "eus"
Aquela ideia vem a cabeça.
Tomar uma decisão: primeiro fazer, depois buscar e encontrar alguma explicação para a ação, uma justificativa, uma lógica.
Movimento e ação, execução e escolha. Há coerência? Por que fiz isto ou aquilo? Não nos entendemos. E não suportamos não nos entender.
Depois tentamos encontrar milhares de razões para ter feito isso ou aquilo. O mais difícil é admitir que fizemos o que fizemos porque lá do fundo veio algo que mostra como as coisas "são" dentro de nós.
Minha cabeça funciona como se houvesse dois "eus", dois modos de fazer, o tempo todo, e ainda são contraditórios e conflitantes.
O primeiro "Eu"
No automático o "eu" vai associando e ligando "coisas" e ideias, procurando formas de agilizar ações. "Eu" está focado na sobrevivência, provavelmente é ancestral e primitivo. É capaz de reconhecer, só
por ruídos alguma pessoa que marca sua vida, pelo tom de voz percebe-se que a coisa não está muito boa ou está.
Esse "eu" tem problemas. Muitas vezes, cria estereótipos, pré conceitua (preconceito), generaliza, age precipitadamente ou inadequadamente e pode trazer muitos prejuízos. Esse "eu" que mora dentro de cada um possui características: sem controle, impulsivamente apronta, sem noção, inconsequência.
O "eu" primitivo e impulsivo, cheio de emoções, não pode ser controlado ou desligado e, dificilmente, aprende! Epimeteu?
Esse "eu" é mais antigo, nós o herdamos, ele vem carregado de hábitos difíceis de mudar, mas permite fazer "nossas coisas" de rotina sem perder energia e nem tempo pensando nelas. Não podemos viver sem o "eu automático e primitivo”, este não é o melhor "eu" para tomarmos decisões importantes, principalmente decisões de investimentos e de dinheiro. Uma compra impulsiva ilustra bem.
O segundo "eu"
Essa face mais fria, que reflete mais cuidadosamente, analisa possibilidades, alternativas, custo-benefício e probabilidade.
Esse "eu" é responsável por raciocínios com mais atenção a detalhes, mas é mais lento, e nem sempre está disponível. É um desafio, concentração é finita e autocontrole não é possível sempre. Se tentamos algo assim ficamos cansados.
Os dois "eus" são diferentes o primeiro pensa "logo ali", o segundo "eu", consegue ver algo mais distante. O problema é que o segundo "eu" não é feito para agir, escolher e executar quem faz isso é o lado primitivo. A face fria consegue analisar e ter a intenção de fazer, mas quem aparece e executa é o "eu" impulsivo.
Como fazer?
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